EM CONTEXTO DE AULA #3


Já deve ter percebido que defendo muito a relevância da Educação através da Arte, porque acredito que podemos aprender muito através de atividade lúdicas. A aprendizagem não tem de ser algo chato e monótono.

Muitas vezes, quando chego à sala de aula, as crianças já estão cansadas, já estão com pouco entusiasmo para estarem mais uma hora sentadas numa mesa a fazer uma atividade. Por isso, faço por planear tarefas mais dinâmicas, mas onde a aprendizagem está sempre presente.

Decidi partilhar uma destas tarefas, que é muito simples, mas eficaz.

Estamos muito habituados a desenhar com lápis, um material duro, que nos permite um grande controlo sobre o resultado e que não suja nada. E é por tudo isto que decidi colocar as crianças a desenhar com barras de carvão.

Uma barra de carvão é madeira queimada, ou seja, é parecida com uma brasa apagada (quem nunca pintou a cara com as brasas, no Magusto). É um material que suja, que faz pó, com o qual é mais difícil controlar o resultado de um desenho, mas é por tudo isto que considerei pertinente que as crianças experimentassem desenhar com o carvão.

Repare, já pensou como é difícil lidar com a frustração, com o descontrolo, com a insatisfação de não conseguir o objetivo pretendido? E já reparou que trabalhar com o carvão permite trabalhar estas competências nas crianças?

Gosto muito da frase “Quanto mais desafios proporcionares ao cérebro, mais aprendes. Quanto mais aprendes, melhor te desenrascas quando tens problemas.”

Partilho esta frase para afirmar que as crianças não vão conseguir lidar com a frustração simplesmente porque eu as coloco a desenhar com carvão. Mas a realidade é que, quanto mais enfrentam estas emoções, maior a probabilidade de encontrarem uma resposta a esse “problema”.

Mas há mais.

Os materiais e as matérias – e não me refiro apenas ao contexto artístico e/ou educativo – não são “fechados”. Quero com isto dizer que não existe apenas um modo de utilização ou de adaptação, e defendo que devemos ter a capacidade de explorar os materiais ao máximo, e de fazer o cruzamento de matérias.

Quero que as crianças experimentem, sem medos, e elas assim fizeram: riscaram, mancharam, apagaram, aprenderam.

Quero que experimentem e que desenvolvam o sentido crítico!

Quero que arrisquem!


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