EM CONTEXTO DE AULA #2


Tenho de fazer uma confissão: gosto de partilhar o trabalho que faço enquanto professora de artes. Isto porque vejo um impacto positivo nas crianças, o que é muito gratificante.

Nas minhas aulas tento fazer atividades que permitam às crianças aprender enquanto brincam, ou seja, atividades ligeiras e divertidas, mas sempre com uma intenção educativa por detrás. No fundo, faço uso da ponte que une as artes às práticas pedagógicas.

Como? Eu passo a explicar.

Através das artes é possível trabalhar diversas competências socio-emocionais como a comunicação, o sentido crítico, estético e ético, a cooperação e a empatia, a sensibilidade, a autorregulação, a criatividade e a imaginação. E existe uma rica herança deixada por pedagogos e artistas, cujo trabalho me permite estruturar atividades para as aulas.

Vou dar um exemplo.

Henri Matisse (1869-1954) foi um grande artista impressionista, que numa fase tardia da sua vida teve várias dificuldades em pintar, devido a vários problemas de saúde. Mas o artista reinventou-se e adotou outras abordagens para criar as suas obras.

E uma dessas abordagens foram os cut-outs – que numa tradução livre, significa desenhar com tesoura. Matisse pretendia trabalhar com manchas de cor, logo decidiu recortar várias formas diretamente em folhas de papel colorido.

E foi este desafio que eu lancei às crianças: recortar formas de papel, diretamente com a tesoura, sem desenho prévio. No início as crianças mostraram-se resistente, achando que era um desafio muito complicado e descabido. Mas a realidade é que, após derrubar esta resistência inicial, as crianças começaram a divertir-se a fazer formas com a tesoura e a colar sobre uma folha de papel.

É verdade que é um exercício que pode ser um pouco desafiador, mesmo para adultos, mas a realidade é que vi coisas fantásticas a acontecer entre recortes e colagens. É difícil esquecer a cão que uma menina fez, em que as orelhas se levantavam – pormenor que não seria possível se fosse um desenho realizado a lápis de cor.

No fundo, a execução de novas técnicas, novas experiências, proporciona novas descobertas para as crianças, para além de desenvolver o pensamento crítico. Enquanto indivíduos, quando somos confrontados com situações até então desconhecidas, a nossa atenção é superior – devido ao fator novidade -, logo somos induzidos a pensar e a refletir sobre o que estamos a fazer.

Para além de que, as novas abordagens e experiências, alimentam a imaginação e a criatividade.

Mas há mais! Quando se trata de exercícios um pouco desafiadores – como é o caso de desenhar com a tesoura – existem vários momentos de frustração por parte das crianças. E, como tudo isto acontece em contexto de aula, enquanto professora, ajudo as crianças a construírem as suas ferramentas para lidar com a frustração. O que é extremamente importante!

Já reparou como, com um simples exercício com papeis e tesouras, pode trabalhar tantas competências numa pessoa?

É aqui que reside a beleza da educação artística!!


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