Na faculdade tive um professor – incrível, por sinal – que costumava dizer que há pessoas que têm horror à folha em branco. E quem diz folha, diz tela, diz cadernos, o ecrã do computador, enfim. Todas as superfícies.
Isto porque há pessoas que querem criar, mas quando se deparam com o início, com o vazio, existe um momento de bloqueio e de incerteza.
A mim já me aconteceu de ficar a olhar para o cursor do computador à espera que as ideias façam os dedos dançar sobre o teclado, numa tentativa de compor palavras com sentido. Noutros momentos, fico a olhar para uma folha de papel em branco, à espera que a mão faça movimentos que produzam linhas e formas.
Mas porquê? Porque é que há momentos em que bloqueamos?
Acho que existem vários motivos para que isto aconteça, mas a melhor parte é que existem soluções para os resolver.
O primeiro motivo que me vem à cabeça, é algo que infelizmente me afeta, e tem o nome de perfecionismo. A tendência em procurar a perfeição, pode ser algo saudável, contudo, quando esta chega ao ponto em que impede de avançar, torna-se um problema.
Se contextualizarmos o perfecionismo no contexto de criar, este não deve ser – regra geral – tido em muita consideração no início de um processo criativo. Isto porque, para uma ideia ser bem conseguida é necessário explorá-la – errar, corrigir, pesquisar, aplicar – sem constrangimentos. Não podemos assumir que tudo o que fazemos vai sair bem à primeira.
Seguindo um pouco a lógica do que acabei de referir, e associado ao perfecionismo, existem outros dois inimigos da criatividade que provocam bloqueio: são estes a autocrítica excessiva e a ansiedade de desempenho.
Vamos deixar de pensar que temos de ser bons naquilo que nunca fizemos, ou que fazemos pouco. Vamos deixar de pensar que só porque já fizemos algo muitas vezes, que estamos imunes ao erro e ao engano. Mas mais importante ainda, vamos deixar de pensar que errar é mau.
Se quer aprender e se quer divertir-se, tem de aprender a errar. Tem de aniquilar o medo de começar algo e este não resultar como esperado.
Atrevo-me até a, caso algum dia tenha um bloqueio criativo, a fazer a coisa mais disparatada que lhe surja. Sem medos, sem preconceitos.
Mas arrisque!!
