Hoje quero partilhar uma experiência.
Lembra-se como eram as salas de aula na altura em que andava na escola? Acredito que eram espaços preenchidos e estruturados.
Agora imagine chegar a uma sala de aula e esta se encontrar totalmente vazia. Sem mesas e sem cadeiras organizadas paralela e perpendicularmente entre si, orientadas para um quadro e uma secretária destinadas a um professor.
Bom, durante o primeiro ano da licenciatura, a minha turma ocupou o Museu da escola. Era a nossa sala de aula. Sim, percebeu bem. O Museu era a nossa sala de aula. Tratava-se de um espaço vazio, de paredes brancas e lisas, sem mesas, sem móveis, sem nada.
Aos poucos, esta divisão estéril converteu-se num espaço acolhedor e versátil. Por estar totalmente vazia, todos os elementos que fomos adicionando à nossa sala foram selecionados com um propósito, de modo a satisfazer as nossas necessidades. Mas mais do que isso, uma das suas particularidades, era que o espaço era “moldável”. Era líquido e orgânico. Por exemplo, a organização das mesas alterava-se consoante as nossas vontades e necessidades, tornando o espaço muito maleável e adaptável.
Este contraste com a tradicional disposição de uma sala de aula (que acaba por se tornar mais austera) tem como consequência o aumento da consciência da nossa relação com o meio envolvente. Para além disso, obriga a um pensamento de grupo, de unidade. Esta sala de aula era destinada a mim e aos meus colegas, e por isso, tínhamos de nos ajustar às necessidades do grupo.
Não é expectável que uma sala de aula funcione assim, de modo tão orgânico, mas será que percebeu as várias competências que são trabalhadas com o simples facto de uma sala de aula ser “oferecida” a uma turma de alunos completamente vazia?
Isto faz-me pensar em como podemos desenvolver várias competências, indiretamente, no contexto escolar. E esta é uma das minhas preocupações enquanto professora de artes.
Entre desenhar, cortar, pintar, colar, rasgar e afins, nem imagina o que pode ser trabalhado num indivíduo.
