EU E A EDUCAÇÃO ARTÍSTICA


Sempre tive alguma dificuldade em visualizar-me no papel de professora (principalmente de crianças pequenas). Mas tenho de confessar que é um papel que nunca pensei gostar tanto de desempenhar!

É muito gratificante contribuir positivamente para o desenvolvimento destas crianças, saber que estamos a transmitir valores e confirmar a ideia de que é possível aprender enquanto brincamos.

Sim, porque acredito mesmo que é possível!

Antes de mais nada, tenho de começar por dizer que acredito no poder da disrupção. Considero que as regras são importantes e fundamentais, que é preciso estrutura e a organização, mas é com a disrupção que aprendemos mais. Contudo, as regras e a disrupção andam sempre de mãos dadas.

Dando um exemplo no contexto da escola, as crianças, a partir do momento que começam o 1º ano de escolaridade, são inseridas numa sala de aula com mesas e cadeiras organizadas paralelamente entre si; escrevem em cadernos que possuem linhas retas paralelas; têm de estar sentados numa secretária, a escrever, o que significa que só realizam movimentos com o pulso.

Esta ordem e organização é importante para que as crianças desenvolvam a concentração, o foco, a adaptação a um contexto de regras, e que depreendam as informações e conhecimentos transmitidos pelo professor. Mas, como tudo, também existem algumas consequências menos positivas.

E é aí que a Educação Artística pode realizar um grande contributo, funcionando como um suplemento!

Enquanto professora de artes, tenho vários princípios que orientam o trabalho que desenvolvo com as crianças. Como eles trabalham todos os dias com os lápis e cadernos, eu procuro explorar novos materiais e técnicas. Quero que as crianças conheçam, sintam, experimentem, descubram novas possibilidades e materiais.

Gosto também de lhes dar alguma liberdade. Gosto de os colocar a fazer desenhos tão grandes quanto eles, para que possam utilizar todos os movimentos que o corpo permite realizar. Gosto de os colocar a inventar, seja desenhos, histórias ou objetos, para que tenham a oportunidade de desenvolver o sentido crítico e de utilizar os conhecimentos teóricos que vão adquirindo ao longo do seu percurso.

E o mais importante de tudo: trabalho no sentido de aprenderem a lidar com o erro. Faço um grande esforço para que as crianças olhem para o erro como algo comum, que tem apenas de ser solucionado, em vez de criticado e abafado.

Quero que as crianças sejam mais capazes!! E sei que a Educação Artística contribui positivamente para esse objetivo!!

Sei qual o meu papel com as crianças, e não dou descanso às minhas mãos enquanto não observar resultados.


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