A GRELHA PARA MIM É UMA OBSESSÃO


Cada artista tem a sua própria linguagem artística. E eu não sou diferente.

Mas se se está a interrogar sobre o que é a linguagem artística, eu passo a explicar. A linguagem artística é a forma pela qual um artista expressa as suas ideias, sentimentos e emoções, recorrendo a diferentes meios e técnicas. E cada linguagem possui as suas características e códigos, permitindo uma variedade de interpretações e experiências estéticas.

Agora que já tem uma pequena ideia sobre o que é a linguagem artística de um artista, vou explicar um dos principais elementos da minha linguagem artística.

Na publicação anterior (HOJE QUERO DESENHAR, NÃO QUERO TRABALHAR) partilhei alguns pequenos detalhes sobre a minha prática do desenho. Desenho durante longos períodos de tempo, num processo monótono e repetitivo. E uma das coisas que desenho muito são grelhas.

Na minha prática artística interessa-me abordar conceitos como gesto, repetição, módulo, série, variação, obsessão, constâncias, semelhança, entre outros, e a grelha é uma forma que me permite transmitir a minha mensagem eficazmente.

Como? Vamos pensar na grelha.

A grelha é resultado de um processo monótono e repetitivo. São linhas atrás de linhas, organizadas paralela e perpendicularmente entre si, formando quadriláteros idênticos.

Desenhar uma grelha exige repetir sempre o mesmo gesto, fazendo o meio riscador – lápis, caneta, pincel, barra de grafite – percorrer a folha de uma ponta a outra, múltiplas vezes. Mas as linhas resultantes nunca são iguais, são apenas idênticas. E este é um detalhe relevante.

Porquê? Porque a execução de uma grelha – como implica a utilização de medidas geométricas e a utilização de uma régua – é muitas vezes considerada impessoal. Apenas porque existe pouca influência do desenhador em guiar o meio riscador sobre a folha de papel. Contudo, a respiração e as “fragilidades” do corpo, transparecem em cada linha, em cada gesto. É apenas aparentemente impessoal.

E o resultado é um desenho geométrico, onde as linhas são idênticas – e não iguais – porque são executadas por um corpo.

Existem muitas mais coisas que podem ser ditas sobre a grelha, mas quero apenas acrescentar mais uma – que é importante para mim. A grelha é uniforme, é constante, é robusta, é estável, é equilibrada. E estas características são algumas das sensações que podemos sentir quando observamos uma grelha.

O que me encaminha para o silêncio!

Por isso é que não me canso de desenhar grelhas…


Deixe um comentário

Discover more from Não dou descanso às minhas mãos

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading