ENSINEI-ME A FAZER CROCHET


Estávamos em plena pandemia. Estava fechada em casa, e tudo acontecia dentro destas quatro paredes. Confesso que sempre fui uma pessoa que gosta de estar em casa, no seu conforto, entretida nos seus afazeres. Mas, mesmo assim, o confinamento foi desafiador.

Apesar de estar fechada em casa, não deixei de ter a minha rotina. Acordava, tomava o pequeno-almoço, tinha aulas, almoçava, tinha mais aulas e… e depois? Depois, havia um espaço de tempo gigante por ocupar.

No início foi interessante, porque descobri o que é ter tempo para fazer o que nos apetece, mas depois chega a uma fase em que já é cansativo. Ficamos sem ideias…

E foi nesse momento que me lembrei de me desafiar a aprender algo sozinha. Ainda não sabia o que ia aprender quando tomei esta decisão, até que, um dia, encontrei uma agulha de crochet perdida numa estante do armário do meu atelier. E nesse momento fez-se luz. Ia aprender a fazer crochet.

Como? Fácil. Encomendei uns novelos de lã, e de lã e agulha em punho, comecei a pesquisar vídeos no Youtube. Encontrei imensa coisa, desde vídeos mais curtos a vídeos mais longos, alguns de fácil compreensão, e outros nem tanto.

No meio de tantos vídeos havia dezenas de pontos diferentes, e escolhi um com um propósito.

Ainda não dei a conhecer um facto sobre mim: enquanto artista visual, sou obcecada pela grelha. Linhas atrás de linhas, umas na horizontal e outras na vertical, que se cruzam e acumulam até formar uma grelha. Uma forma geométrica, organizada, regular, constante e que, me transmitem equilíbrio e harmonia.

Logo, quando vi que existe um ponto de crochet cujo padrão resultante é uma grelha, é óbvio que foi este ponto que quis experimentar.

E é curioso pensar que o próprio processo do crochet é monótono e repetitivo, existem uma sequência a ser seguida, e o resultado é uma malha uniforme, regular, contante. Ou seja, existe uma relação poética entre a própria grelha e o processo de fazer crochet.

Para além disso, quero realçar o facto de, apesar de ter explorado uma técnica nova, eu consegui transportar a minha essência, a minha linguagem artística para a mesma.

Resumidamente, o que inicialmente era um desafio em aprender algo novo, de modo a ocupar tempos mortos e vazios, tornou-se em mais uma ferramenta de trabalho.

Para além disso, sou da opinião que nos devemos desafiar constantemente, que devemos procurar sempre mais e colocar-nos em situações de desafio e aprendizagem. Podemos aprender muito através de simples desafios auto-impostos.

Pense nisso!


Leave a Reply

Discover more from Não dou descanso às minhas mãos

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading