É muito irónico, mas nunca gostei de escrever.
A disciplina que menos gostava na escola era de português, e quando era mais nova não gostava de ler nem de escrever. Preferia entreter-me a fazer contas ou a desenhar e pintar.
Aliás, quando frequentava o meu Mestrado em Desenho, devo confessar que escrever a dissertação foi das tarefas mais complicadas que tive de realizar na minha vida. Foi uma tarefa que me exigiu autoconhecimento, muita disciplina e muitas lágrimas de desespero.
Houve fases em que só consegui escrever de manhã, outras em que só consegui escrever a seguir ao almoço. Havia dias em que precisava de escrever no silêncio da biblioteca e havia dias que gostava de escrever numa esplanada. Mas o pior de tudo, eram os dias em que não conseguia escrever nem uma palavra. Ficava horas a olhar para o ecrã do computador, mas não conseguia compor nem uma frase…
Pois bem, mas a realidade é que neste momento tenho um blog. Tenho um blog e adquiri o hábito – quase vício – da leitura. Agora já é mais fácil conviver com as palavras, mas para que isto acontecesse foi importante encontrar uma coisa: a minha voz. Quero com isto dizer que foi preciso encontrar o meu estilo de comunicação.
Percebi que gosto de contar histórias. E que gosto de o fazer utilizando um estilo simples, muito próximo à oralidade. Para mim não é um desespero pegar no computador, ou numa folha de papel, para escrever umas histórias. Mas se tivesse de voltar a escrever uma dissertação, o dilema repetir-se-ia de certeza. É uma tarefa chata – a de escrever a dissertação.
Como comecei a simpatizar com o ato de escrever, – e não quero associar a minha prática de contar histórias à tormenta que foi a escrita da dissertação – comecei a denominar este ato como a arte de compor palavras.
E até acho que é mais bonito.
As palavras que componho, nem sempre estão organizadas de forma perfeita, nem sempre soam como deveriam soar, mas está tudo certo. As mensagens estão lá, e a minha essência também.
Não é preciso estar perfeito. Apenas tem de acontecer.
