AINDA NÃO QUERO ABRIR ESTE CADERNO


A vida é boa. Está recheada de coisas fantásticas e maravilhosas. Mas, para existirem coisas boas, também têm de existir coisas más.

A vida não é linear, acontecem muitos altos e baixos e só nos resta arregaçar as mangas e enfrentar os obstáculos que se cruzam no nosso caminho.

Para mim, escrever ajuda a digerir as emoções, a lidar com as situações. E este caderno contém várias palavras que as minhas mãos escreveram em momentos menos simpáticos. Estas palavras foram escritas à mão, porque há palavras que merecem este cuidado.

Este caderno tem o título de “Dores de crescimento”. Isto porque aprendemos com tudo o que nos doí.

Estava guardado numa estante do que chamo a minha pseudo biblioteca, e cruzei-me com ele enquanto organizava alguns livros. E fiquei a pensar se deveria revisitar estas memórias.

Sei que se ler estas páginas, vou reconhecer uma evolução na minha pessoa, o que me vai fazer sentir orgulhosa de mim. Mas também me vai fazer reviver todos aqueles momentos. E acho que é um preço muito caro a pagar…

A verdade é que o facto de todas aquelas palavras estarem gravadas nestas páginas, dá-me conforto. Isto porque sinto que reforçam a ideia de que tudo já passou. Já se trata de sentimentos do passado, de questões resolvidas, de lições aprendidas. Mas ainda não me faz querer abrir o caderno e ler o que lá está escrito. É-me suficiente saber que as palavras ainda não desapareceram.

Enquanto escrevo tudo isto, estou a pensar que estou a ser um pouco injusta. É verdade que estas páginas guardam algumas experiências menos agradáveis, mas na verdade também guardam coisas boas. Não me posso esquecer disto.

Ainda não reli as palavras que expressão as dores sentidas no tempo em que as escrevi. E acho que vai demorar muito tempo até isso acontecer.

Ainda não é a hora certa.

Mas gostaria de relembrar que escrever – e não só – pode ter um efeito catártico. Ponha as suas mãos a trabalhar e liberte a mente de impurezas.


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