NEM UM DIA SEM UMA LINHA


Há já muito tempo, no período da Grécia Antiga, Plíneo utilizou a expressão “Nulla dies sine linea”, para descrever Apeles. Sabe porquê? A expressão significa “Nem um dia sem uma linha”, e Plíneo usou a mesma porque Apeles foi um importante pintor que não conseguia dar descanso às suas mãos. Todos os dias tinha de, pelo menos, desenhar uma linha.

Bem, como deve imaginar, eu sou igual. Não consigo ficar um dia sem desenhar ou escrever uma linha – e sim, a frase também pode ser usada no contexto da escrita.

Posso até escrever a maior patetice de sempre, ou simplesmente fazer uns rabiscos numa folha de papel que, passados uns minutos, vai acabar dentro de um ecoponto azul. Mas faço.

Faço porque já é uma necessidade. E é um processo libertador.

Obviamente, este processo não é igual todos os dias. Depende sempre de uma intenção e de um estado de espírito. Há dias em que estou calma, criativa e fico embrenhada num desenho durante horas a fio; mas também existem aqueles dias em que estou impaciente e frustrada, e descarrego estas energias sobre uma folha de papel ou no teclado do computador.

E no fim de tudo isto? Fico leve, sinto-me bem.

Num post anterior, já expliquei que criar me permite criar um cenário de exploração e de aprendizagem. E mantenho a minha opinião. Mas esta aprendizagem não se limita apenas a descobrir materiais e processos, ou o mundo que me rodeia.

Criar também me permite um maior autoconhecimento, desenvolver a minha inteligência emocional. Há emoções e/ou ideias que são mais fáceis de explicar – ou simplesmente entender – do que outras. Algumas são até bastante complicadas de decifrar.

No meu caso, criar é definitivamente uma atividade que me facilita este processo. É um momento para pensar, analisar, sentir e expressar. Não deixo as coisas guardadas dentro da minha cabeça. Partilho-as com o papel.

Sabe que mais, este blog faz parte de um projeto maior que aos poucos vai ser revelado. Um projeto que surgiu – inocentemente – devido a uns tiques nervosos, manifestados durante períodos de ansiedade ocorridos no decorrer da pandemia.

Uma manifestação de ansiedade deu-me a clareza e a confirmação da importância do fazer. De não dar descanso às minhas mãos.


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