BRINCO COM AGULHAS DESDE OS 3 ANOS


Perigoso? Hmm, talvez. Mas a realidade é que eu brinco com agulhas desde que tenho 3 anos de idade. Como é isto possível?

Calma!

Primeiro, tenho de explicar que é no contexto da costura. Como nasci e cresci em Guimarães, é óbvio que tenho familiares que trabalham na área do têxtil. E claro que as minhas avós partilharam conhecimentos comigo.

Lembro-me das longas horas que a minha avó paterna passava à janela, a bordar panos para as vizinhas e para decorar a sua casa.

Mas as memórias que mais me marcaram rementem para os momentos em torno da máquina de costura. Quando eramos pequenas, eu e as minhas primas acompanhávamos a minha avó até ao sótão. Era onde estava a máquina de costura da minha avó. Uma máquina tão antiga que funciona a pedal, e não a eletricidade.

Todos os dias, a seguir ao almoço, lá íamos para o sótão, e enquanto a minha avó trabalhava, todas víamos a novela brasileira que dava a seguir às notícias. Aliás, para mim, ver “O Cravo e a Rosa” só faz sentido se for acompanhado do som da máquina de costura. E era nestes momentos que observava a minha avó a construir algo – normalmente uma peça de roupa – utilizando um pedaço de tecido. Para mim era fascinante e, ao mesmo tempo, intrigante.

Foi a minha avó quem me ensinou a bordar e a costurar. E depois de começar, nunca mais parei. Desde que me lembro que brinco com tecidos. Fazia roupa para as minhas bonecas, fazia bordados, decorava frascos com tecidos, inventava uma miríade de coisas impensáveis. No fundo, os tecidos eram apenas um material que me permitia dar liberdade à minha imaginação.

Estas ideias todas surgiam porque a minha avó materna possuía um negócio de recolha e tratamento de desperdícios têxteis. Ou seja, passava horas entre muitos tecidos e malhas com cores, padrões e formas diferentes. Era um paraíso para uma pessoa criativa como eu.

Mas há mais. Um dia – devia ter uns 10/11 – também tive de aprender a fazer tapetes de arraiolos. E sim, foi uma obrigação. O motivo? Bem, um dia a minha avó materna decidiu que queria aprender a fazer tapetes de arraiolos. Contudo a sua memória não é a melhor. E qual foi a solução para este problema? Levar-me para eu decorar e assim podia pergunta-me sempre que tinha dúvidas. Faz sentido, sim. Mas confesso que na altura foi um pouco chato para mim.

Contudo, aos poucos, comecei a gostar daquilo. É um processo longo, lento e repetitivo – soa aborrecido – mas até achei piada. Era uma tarefa interessante para ocupar as minhas mãos por muito tempo.


Deixe um comentário

Discover more from Não dou descanso às minhas mãos

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading